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Por volta de 1790, então no ocaso de século XVIII, dois
cavaleiros destemidos, acompanhados de sua gente e de alguns escravos,
conduzindo várias cabeças de gado, deixavam as suas terras de Baependi e
vinham aportar-se, afinal, numa região exuberante, composta de vastos
campos, sob um céu de limpidez sem igual, e onde o ar era puro e
salubérrimo. Os referidos cavaleiros, também abastados fazendeiros, ao
verificarem a riqueza natural daqueles sítios, ficaram extasiados e,
vencida a primeira emoção, procuraram um local adequado para se
estabelecer. Assim é que atravessaram um rio conhecido como o Rio das
Antas, alcançaram um córrego denominado de Córrego do Tamanduá, na
Cachoeira Grande, e chegaram a uma colina graciosa, onde imperava viçosa
mataria. Devido à abundância de madeira de lei naquela parte, um deles -
FELIPE MENDES DO PRADO – aí se instalou com fazenda, batizando a esta de
Capão do Cipó, em virtude da grande quantidade de cipó que encontrara a
sua passagem. Em seguida, construiu a sua casa, toda de madeira, à margem
direita do Córrego, no lugar chamado de Macieira, enquanto que seu amigo e
companheiro de viagem – o alferes JOSÉ RABELO DE CARVALHO – tomava posse
da margem esquerda, escolhendo para sede de sua fazenda um magnífico
chapadão, perto do local denominado Cascata, onde mais tarde seria
edificada a Estação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, hoje FEPASA
– Ferrovias Paulistas S/A. Daí o chamar-se a dita fazenda de Chapadão,
nome, aliás, muito apropriado e que perdura até os nossos dias.
Em virtude do espírito dinâmico de Felipe Mendes do Prado,
surgiria, ao depois, a fazenda da Lagoa Dourada, localizada na mesma zona,
e cuja denominação provinha de uma lagoa de águas amarelas, que havia sido
encontrada nos campos. As terras dessa fazenda passavam além da Serra do
Caracol, e iam alcançar o rio conhecido por Jaguari-Mirim.
Destarte, graças ao dinamismo desses dois espíritos
aventureiros que foram Felipe Mendes do Prado e José Rabelo de Carvalho,
começava a ser desbravado o território onde, mais tarde nasceria o
Município de Andradas, nos seus futuros 492 Km
de extensão.
Conta-nos a tradição oral que, durante a viagem dos dois
fazendeiros de Baependi a Caldas, eles, para não se perderem nos campos
incomensuráveis pelos quais se embrenhavam, serviam-se de um recurso
deveras singular: hasteavam um grande pano branco no alto de uma árvore
qualquer, em ponto bastante visível mesmo à distância, orientando-se assim
por semelhante marco. Eis, porque, o local passou a chamar-se “Capão da
Bandeira”, nome, aliás, que se conserva até à presente data.
Quem se detém a admirar o Brasão de Armas de Andradas,
chega à conclusão de que as duas buzinas estilo boiadeiro, flanqueadas à
sua destra e à sua sinistra, não deixam de ser uma singela homenagem
àqueles que, dedicando-se à criação de gado em eras remotas, lançaram os
fundamentos de nossa estremecida terra. E os milésimos nele inscritos –
1848/1890 – representam os 42 anos de esforços em prol de nosso
amadurecimento político, administrativo, social e econômico.
E foi, então, que um acontecimento doloroso veio abalar a
incipiente comunidade. O intrépido Felipe Mendes do Prado era assassinado
por um escravo de sua propriedade, quando empreendia viagem para Baependi!
Sua família, vendo-se assim, desamparada, sem o chefe que a conduzia com
mão segura, começou a passar por tremendas privações, perdida que estava
nas profundezas do sertão. Dá-se, nessa época, a fragmentação da Fazenda
da Lagoa Dourada, e os moradores vão se aumentando, pouco a pouco, no sopé
da Serra do Caracol, até que em 1845 alguns deles têm a piedosa idéia de
erigir uma capela consagrada a São Sebastião. Escolhem, - portanto, um
terreno coberto por extenso samambaial, o qual era de propriedade de
Cândido José Mendes e sua mulher Plácida Joaquina dos Reis. Por esse
motivo, dão ao povoado o nome de Samambaia e aguardam, ansiosos, a
proteção de seu padroeiro – o destemido soldado de Narbona, o mártir que
entrara para a Hagiografia como um exemplo na defesa da Fé. Eis que, a 3
de março de 1846, a Cúria de São Paulo expedia a Provisão que autorizava o
Vigário da Paróquia de Caldas a proceder à bênção da primeira capela.
Impelidos por seus sentimentos religiosos, Cândido e Plácia resolvem doar
a São Sebastião um alqueire do aludido terreno, no qual, aliás, já se
achava construída a Capela. Assim é que se dirigem à Freguesia de Caldas,
numa cansativa viagem em lombo de burro, e mandam lavrar a competente
doação, que traz a data de 3 de julho de 1848. Assinam-na: Cândido José
Mendes e Plácida Joaquina dos Reis. Testemunhas: Francisco José Teixeira –
Manuel Batista Ribeiro e Teotônio José F. Bretas.
Tempos depois, como se as preces de grande parte dos
moradores fossem atendidas pelo Santo Padroeiro, surgiram novas doações de
terrenos, - feitas pelas seguintes pessoas gradas do lugar: D. Maria das
Dores do Espírito Santo, Francisco Nunes de Almeida, Henrique José dos
Nascimento, João Rodrigues de Godói, Manuel Diogo Gonçalves, José
Bernardes da Silva, Beraldo José Batista, Escolástica Maria de Freitas, D.
Maria Inácia, Antônio Moreira e Manuel Teles. Essas doações, que tinham
por objetivo possibilitar a abertura da chamada Rua do Cemitério, foram
efetuadas, presumivelmente, entre os anos de 1850 a 1881. Há de se
ressaltar, também, uma outra doação de 2 ½ alqueires de terras, feita por
D. Plácida Joaquina dos Reis, em 1852. A essa altura, a referida Senhora
tinha contraído novas núpcias, porquanto se enviuvara de Cândido José
Mendes, de quem já escrevemos antes.
Quanto aos cemitérios que existiam desde a formação do
patrimônio, enumeremo-los: o primeiro na Praça do Mercado (atual Praça
Cel. Antônio Augusto de Oliveira, mais ou menos no lugar onde se encontra
o prédio do Teatro Municipal); o segundo no terreno onde se acha edificada
a Santa Casa de Misericórdia de Andradas, e que foi abandonado, tempos
depois, em virtude de nele estarem sepultadas inúmeras vítimas da varíola;
o terceiro, o atual, que era, originariamente, cercado de tábuas, um tanto
rústico.
A julgar pelas pesquisas efetuadas, o primeiro cemitério em
solo andradense foi construído em 1850 pelos Padres Capuchinhos, que o
fizeram sob a direção de Frei Eugênio de Gênova, à semelhança daquele que
erigiram na vizinha Caldas. Uma obra piedosa dos filhos espirituais de São
Francisco!
Inicialmente, o Patrimônio foi designado de São Sebastião
do Pirapetinga, depois de São Sebastião do Jaguari até 1888, quando houve
a criação do Município. A partir desse ano, passou a chamar-se Caracol,
nome que conservou até 1928, ocasião em que recebeu a denominação de
Andradas.
Em 16 de janeiro de 1857, a família católica tomava
conhecimento de uma notícia deveras auspiciosa: por provisão daquela data,
a Capela de São Sebastião recebia da Diocese a licença de ter a sua pia
batismal.
Três anos depois, outra notícia suscitava grande alegria em
toda a população: pelo Decreto nº 1098, de 7 de outubro de 1860, São
Sebastião do Jaguari era elevado à categoria de Distrito de Paz.
O atual nome de Andradas,
homenagem ao Governador do Estado Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, foi
estabelecido pela Lei n.º 1.035 de 20 de setembro de 1928.
Pode se considerar a década de
1960 à 1970 como fase de aceleração do processo de industrialização do
Município. Como marco desse processo a abertura de Cerâmica ICASA e a vinda de
técnicos de outras regiões especialmente do Estado de São Paulo.
A partir de então começa-se a
sedimentar o setor industrial hoje o mais significativo da economia local,
passando o setor agrícola para o segundo lugar.
Atualmente estão sendo
desenvolvidos estudos e implantadas diversas medidas com a finalidade de se
explorar o turismo local.
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